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quinta-feira, março 5, 2026
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Advogada e influenciadora argentina é indiciada por injúria racial; crime ocorreu dia 14/1

Na última sexta-feira (23/1), a 11ª Delegacia Policial (Rocinha) indiciou, por injúria preconceituosa racial e racismo, a influenciadora argentina Agostina Páez, acusada de ter feito gestos, imitando macacos, contra funcionários de um bar em Ipanema, Zona Sul do Rio. O crime aconteceu no dia 14 de janeiro e teve grande repercussão. Uma amiga de Agostina também foi indiciada por ter prestado falso testemunho às autoridades policiais.

Dois dias antes do indiciamento na 11ª DP, Agostina Páez  instalou uma tornozeleira eletrônica. A medida é prevista na decisão da Justiça sobre o caso. O crime de injúria racial é equiparado ao crime de racismo, e a pena varia de 2 a 5 anos, além de multa.

No relatório encaminhado ao Ministério Público, a Polícia Civil afirma que a autoria do crime ficou comprovada por uma conjugação de fatores. Entre eles, relatos apontando para o crime e vídeos colhidos que “atestam cenário de ultraje moral, de natureza racista”.

Presidente da Comissão Estadual da Verdade da Escravidão Negra no Brasil da OAB-RJ, o advogado Humberto Adami afirmou que Agostina cometeu um ato de racismo, e que poderia se dizer com sorte ao receber como medida cautelar a tornozeleira eletrônica. “O delegado poderia fazer perfeitamente uma prisão preventiva para aplicação da lei penal. Ela tem que ver que esse tipo de atitude é uma atitude criminosa e vai acarretar consequências penais, por dano moral e dano moral coletivo”, declarou ao portal de notícias G1.

A influenciadora argentina Agostina Páez faz gestos racistas ao discutir com funcionários de um bar em Ipanema. Foto: reprodução.

Ao mesmo G1, a influenciadora disse “ter sido provocada por atendentes do bar”, que, segundo ela, “fizeram gestos obscenos e tentaram enganá-la no pagamento da conta”. Versão contestada por imagens que circulam em redes sociais, nas quais a advogada aparece chamando um funcionário de “mono” — termo em espanhol que significa “macaco”, associado a uma ofensa racial — e imitando um macaco.

No dia 20 de janeiro, quase uma semana após o crime, a influenciadora argentina fez um registro na Polícia Civil por supostas ameaças e injúrias que teria sofrido após o episódio no bar em Ipanema. O caso está sendo investigado pela Delegacia Especial de Apoio ao Turista (Deat).

Dirigente da Secretaria de Gênero, Raça e Etnia do Sindsprev-RJ, Osvaldo Sergio Mendes reforçou as críticas. “O racismo é um crime de ódio, um crime contra a humanidade. Infelizmente, vemos todos os dias acontecerem situações como esta em nosso país, apesar de ter aumentado o número de denúncias. O mais absurdo é que a influenciadora que cometeu o crime de injúria está tentando se fazer de vítima, numa inversão completa dos fatos”, frisou.

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