Por Marcos Aurélio Gomes Ribeiro*
O Rio de Janeiro viveu mais uma tragédia anunciada. A operação policial comandada pelo governador bolsonarista Cláudio Castro — uma verdadeira chacina — já deixou mais de 100 mortos, entre moradores, policiais e suspeitos. Uma ação desastrosa que revela não uma política de segurança, mas uma política de extermínio. O mesmo governador que hoje posa de justiceiro foi contra a PEC da Segurança Pública, demonstrando o quanto a extrema direita usa a violência como espetáculo político, e não como solução real.
Enquanto o sangue ainda escorria nas vielas, os parlamentares bolsonaristas correram para as redes sociais tentando culpar o presidente Lula e o governo federal, numa tentativa desesperada de manipular a opinião pública. O silêncio deles sobre o projeto de segurança pública parado no Congresso — dominado por essa mesma direita — mostra quem realmente impede avanços concretos na área.
O que está em curso é mais que oportunismo: é uma estratégia de caos, que busca legitimar a militarização, a guerra e o medo. A extrema direita tenta inclusive usar a tragédia para chamar atenção do governo dos EUA, na esperança de que Trump classifique facções brasileiras como grupos terroristas, abrindo caminho para uma intervenção militar estrangeira no país.
No fim, o projeto da extrema direita é sempre o mesmo — morte, repressão e destruição. Nenhum compromisso com educação, saúde ou segurança de verdade. O que Cláudio Castro e seus aliados oferecem ao povo é só mais sangue, mais luto e mais barbárie travestida de “ordem”.
*Marcos Aurélio Gomes Ribeiro é professor de História Contemporânea do Brasil da Universidade federal de Santa Catarina (UFSC) e pesquisador do movimento sindical. É mestre em História Social pela UFRJ com pós-graduação em História Contemporânea do Brasil pela Universidade Estácio de Sá. É autor de ‘A História do Sindicalismo Brasileiro nos Anos de Chumbo’ (Appris, 2021).


