Se Flávio Bolsonaro seguir como anuncia o projeto econômico do seu aliado argentino, também de extrema direita, Javier Milei, vai desmantelar o Sistema Único de Saúde, o SUS. Dentro da sua política de arrocho fiscal, Milei cortou 10% do orçamento da saúde pública do seu país, passando a enfrentar greves e protestos gigantescos.
O corte teve impactos enormes sobre os hospitais públicos e a vida da população. O Monitor de Despesas Primárias, publicado pela consultoria Analytica, revelou que o investimento no Ministério da Saúde teve queda de 9,8% em termos reais já nos primeiros cinco meses de 2025 em comparação ao mesmo período do ano anterior.
O relatório destaca que os gastos com saúde estão abaixo dos níveis pré-pandemia, mesmo após a normalização pós-2023. O maior impacto desse ajuste foi sentido nas transferências, menos 6,3 pontos percentuais; e nos gastos com pessoal, menos 6 pontos percentuais.
Os cortes impactaram severamente as agências descentralizadas do Ministério da Saúde, que coletivamente experimentaram um declínio real de 7,9%, apenas nos primeiros cinco meses de 2025. Entre as entidades mais afetadas estão o Instituto Nacional do Câncer, com uma redução de 56,5% em relação ao ano anterior, o Hospital Bonaparte, menos 20,7% e o Hospital Sommer, menos 20,3%.
Cortes em vacinas e medicamentos de alto custo – Essas medidas são parte de um desmantelamento mais amplo de agências federais de saúde importantes e demissões em massa, postas em prática em 2025, que afetaram mais de 2.000 funcionários do Ministério da Saúde, quase um quarto de sua força de trabalho, com 1.400 demissões somente em janeiro daquele ano.
Um exemplo crítico é a suspensão pelo governo da agência DADSE, que fornecia medicamentos de alto custo a pacientes sem seguro saúde com câncer e doenças raras. Essa interrupção deixou milhares de argentinos sem tratamento vital, levando grupos de defesa de pacientes a alegarem em uma ação judicial que pelo menos 60 pacientes com câncer morreram no ano passado devido à suspensão do programa.
Milei também desmantelou o Instituto Nacional do Câncer, suspendendo os programas de detecção precoce do câncer de mama e do colo do útero. A Direção Nacional de HIV, Hepatite e Tuberculose perdeu 40% de seus funcionários e 76% de seu orçamento anual, resultando em escassez de testes, medicamentos e preservativos.
Ao mesmo tempo, Milei, congelou o financiamento federal para campanhas de imunização, interrompendo o acesso às vacinas em meio a um surto de sarampo que causou a primeira morte pela doença em duas décadas em abril.
Impactos nas verbas sociais – O modelo inspirador do bolsonarista é responsável por jogar a população argentina na pobreza. A redução de gastos promovida por Milei atingiu com força o setor previdenciário, que respondeu por cortes de 19,2%, e mais da metade dos trabalhadores deixaram de se aposentar em dois anos. O programa equivalente ao Bolsa Família, o Asignación Universal por Hijo para la Protección Social (AUH), sofreu corte de 42%. Os orçamentos da saúde pública, da educação e para proteção às pessoas com deficiência também tiveram redução. O desemprego no país também aumentou. Quase 10 milhões de argentinos vivem abaixo da linha da pobreza no país.
*Fonte: Agências de notícias.

